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Relato de Experiência

Erasmus em Milão (2)

"No dia 3 de janeiro de 2015 nós, Catarina Dias e Catarina Palma apanhamos o avião para aquela que seria uma das melhores e mais interessantes aventuras e experiências da nossa vida. Estávamos então no 3º ano do curso de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal. Com o apoio da professora responsável pela mobilidade internacional e do gabinete internacional do IPS fomos colocadas no Ospedale San Paolo em Milão, Itália, para um período de estágio de 3 meses, através da Università degli Studi di Milano.

Ainda antes de embarcarmos nesta nova etapa da nossa vida deparamo-nos com a dificuldade em encontrar casa, nomeadamente por duas razões: rendas bastante elevadas para a bolsa de estudos de que disponhamos e um período de tempo demasiado curto para alguém nos alugar um apartamento. Para nos ajudar neste campo podemos contar com uma estudante de fisioterapia italiana que tinha realizado Erasmus em Setúbal e, assim, conseguimos um apartamento para o primeiro mês e, já em Milão procuramos um outro, com bastantes melhores condições para o restante tempo.

Em termos pessoais foi uma experiência incrível para ambas, aprendemos imenso sobre diferentes culturas, fizemos novos amigos que ficam para sempre, viajamos, partimos à aventura, divertimo-nos, adaptamo-nos a um meio diferente e, o difícil foi desabituarmo-nos dele para voltar a Portugal, deixamos saudade. A ESN Statale teve um papel muito importante em vários destes aspetos pois, esta associação de apoio aos Erasmus, todas as semanas organizava encontros de estudantes, eventos e, esporadicamente viagens. Ainda a nível pessoal, uma de nós, Catarina Dias, juntou-se ao já vasto grupo de casais Erasmus espalhados pelo mundo.

Relativamente à língua, na nossa opinião o italiano é muito fácil de entender e relativamente fácil de falar para os portugueses, o mais complicado poderá ser a escrita. Em termos da nossa aprendizagem da língua foi tudo adquirido já em Milão. Foi-nos disponibilizado um curso online “ERASMUS+ OLS Programme”, que, porém, além de consideramos que não está adequado à área de saúde, é demasiado extenso e repetitivo, quando poderia focar os aspetos mais essenciais.

Quanto à Fisioterapia e ao estágio em si, as dificuldades iniciais foram bastante maiores. No dia em que chegamos ao hospital ninguém falava inglês e nós ainda não falávamos italiano e, deparamo-nos com o facto de termos de realizar um curriculum em italiano e de termos uma reunião com o diretor da área de reabilitação funcional, napolitano, ainda mais complicado de entender. A nossa ajuda foi uma estudante italiana que se encontrava também em Erasmus pois estava a tirar o curso em Espanha e, ia traduzindo para espanhol.

Fomos distribuídas por terapeutas que falavam um bocadinho de inglês e nos primeiros dias existiu um choque inicial porque as expectativas que tinham de nós não correspondiam à exigência dos nossos períodos de educação clínica em Portugal, não tínhamos autonomia com os utentes, algumas práticas eram diferentes e sentimos que a fisioterapia lá estava um bocadinho atrasada em relação ao nosso país. Não nos acomodámos e tentamos mostrar um pouco do que se faz por cá e, aos poucos e poucos fomos melhorando o nosso italiano, fomos ganhando o nosso espaço, a nossa independência e eles foram ganhando confiança em nós. Cerca de um mês depois estávamos a estagiar com a mesma autonomia que temos em Portugal, com os nossos próprios utentes, complementando o que já tínhamos aprendido cá com o que íamos aprendendo lá: novas técnicas e novos métodos que contribuíram bastante para a nossa formação profissional.

Uma de nós realizou essencialmente intervenções com utentes da área da reabilitação funcional (músculo-esquelética e neurologia) e outra com utentes de várias áreas de internamento do hospital e, posteriormente com maior foco na ortopedia e reabilitação. Ambas intervimos com utentes, de várias áreas da fisioterapia, internados no hospital e em regime de ambulatório. Após o segundo mês de estágio trocamos de orientadores clínicos, o que nos permitiu incidir em diferentes áreas.

Um aspeto muito positivo do estágio neste local era a preparação e discussão semanal de casos clínicos entre todos os estudantes e terapeutas. No início começamos por fazê-lo em inglês e com o passar do tempo o nosso italiano já era suficiente para uma discussão fluida.

Além do estágio tivemos oportunidade de assistir a aulas que eram dadas pelos terapeutas do hospital na universidade. Apesar de já termos aprendido cá o que eles abordavam, foi uma abertura importante para criarmos uma maior ligação e para aprendermos mais sobre o ensino italiano.

Ainda no hospital a interação entre os diversos profissionais era muito boa, contribuindo bastante para uma melhor e mais rápida reabilitação dos utentes.

Concluindo, foram 3 meses desafiantes e de muita aprendizagem que puseram à prova a nossa capacidade de adaptação, flexibilidade e trabalho em equipa. Foi um período fantástico e recomendamos a experiência! O início não foi fácil mas valeu a pena por tudo aquilo que ganhamos.

Próxima experiência: Erasmus Profissional.



Catarina Dias e Catarina Palma, 4º ano ESS-IPS 2015/2016