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Relato de Experiência

Erasmus em Barcelona(2)

"Olá a todos! O meu nome é Vera Pinto, sou estudante finalista de Fisioterapia na ESTeSL. No passado semestre (2º semestre do 3º ano da licenciatura) realizei aquilo que para mim foi uma das melhores experiências que a Fisioterapia já me proporcionou. Refiro-me à experiência Erasmus+. Durante 5 meses, vivi e estudei em Barcelona, acompanhada por duas amigas também elas estudantes de FT.

A faculdade que me acolheu foi a Facultat de Ciències de la Salut Blanquerna - Universitat Ramon Llul, uma faculdade privada no centro de Barcelona (bem perto da conhecida La Sagrada Familia) que leciona os cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição e Farmácia. Escolhi Barcelona porque dentro das opções disponíveis para parceria com a minha faculdade, esta era uma cidade que não conhecia, mas que me atraia muito pelos testemunhos de amigos que já lá tinham estado. A escolha desta instituição em particular, deveu-se ao plano de estudos muito interessante que apresentava e que eu considerei que poderia complementar o plano de estudos que tinha em Portugal.

À chegada apercebi-me que esta era uma das melhores faculdades de Fisioterapia de Barcelona, mas com o passar do tempo percebi também que enquanto aluna estrangeira estava muito bem preparada para o nível de exigência imposto pela mesma.

Os meses que me esperavam incluiam dois estágios, realizados todas as manhãs durante 5 semanas cada, e aulas todas as tardes, algumas delas, práticas com presença obrigatória.

Os estágios foram escolhidos pela instituição, no primeiro estive na área de Geriatria, num lar/residencial com condições excelentes. Os meus orientadores de estágio era ótimos profissionais, que me ensinaram, não só, a lidar com a população mais idosa e as patologias mais características desta faixa etária, bem como a adaptação dos nossos objetivos de tratamento enquanto Fisioterapeutas, mas também, nos tempos mais livres estimulavam o meu raciocínio fora da área de geriatria.

No segundo estágio estive numa clínica cuja intervenção era maioritariamente na área de músculo-esquelética. Nesta clínica pude lidar com situações mais aproximadas da nossa “realidade de clínica”, uma vez que a prática em Espanha e o estado da profissão são até algo semelhantes com os de Portugal. Neste estágio, para além dos tratamentos individuais, tive a oportunidade dar classes de movimento direcionadas para pacientes com dor lombar, por exemplo, e tive muito contacto com a terapia de Indução Miofascial, uma vez que o meu orientador tinha formação nesta área.

No que diz respeito às aulas, as unidades curriculares específicas eram da área da  Reumatologia (incluiam patologias, avaliação, intervenção médica, cirúrgica e do fisioterapeuta), as práticas eram sobre o segmento Coluna Vertebral e como teóricas não-específicas tinha Comunicação. As que mais gostei foram, sem dúvida, as práticas de Coluna Vertebral. Nestas aulas estudámos segmento a segmento a anatomia, biomecânica, todos os testes específicos de avaliação e técnicas de tratamento para as disfunções que poderiamos encontrar. Como complemento, tinha uma vez por semana uma aula em que, em grupo, trabalhávamos um caso clínico dado pela professora, sendo que o objetivo era aplicarmos os testes e técnicas adequados ao caso, leccionados na unidade curricular prática.

Terminei o semestre com a sensação de que aprendi “um mundo” sobre coluna que não iria ter a oportunidade de aprender no meu plano curricular em Portugal, o que foi muito gratificante. A organização do curso de Fisioterapia era muito diferente daquela a que eu estava habituada, os professores eram excelentes profissionais, quase todos com prática clínica simultânea e portanto, considero que em Blanquerna se formam alunos com todas as ferramentas para serem Fisioterapeutas de sucesso!

A adaptação às aulas e estágio num país estrangeiro foi mais fácil do que eu esperava. Os colegas de turma eram muito simpáticos e acolhedores, integraram-me a mim e às minhas duas colegas Portuguesas de uma forma que não esperávamos!

Mas, no final de tanta conversa, parece que Erasmus foi só Fisioterapia, o que não é verdade! Conheci muitas pessoas, muitos sítios novos e diverti-me imenso. Erasmus foi também a experiência que me fez perceber que, se o futuro assim nos obrigar/permitir, viver num país estrangeiro é algo que pode ser muito interessante se soubermos tirar o melhor partido possível daquilo que o “sítio desconhecido” tem para nos oferecer."


Vera Pinto, 4º ano ESTeSL 2015/2016