• ​Documento Síntese

FÓRUM DO JOVEM NA FISIOTERAPIA - Setúbal 2016

Estiveram na reunião 34 elementos, ao longo dos vários plenários

do fim-de-semana, de 8 escolas diferentes.




Sessão de Abertura – Lucas Brink Carvalho


Na Sessão de Abertura do II Fórum do Jovem na Fisioterapia (FJF) que decorreu nos dias 13 e 14 de Fevereiro de 2016 na Casa da Baía, Setúbal, procederam-se às apresentações do grupo, agradecimentos e informações. Assinalou-se e parabenizaram-se os presentes pela sua disponibilidade o que contribuiu para uma diversidade de escolas representadas no evento. (Indicar quais)Tendo sido disponibilizado o programa final do FJF, deu-se início à ordem de trabalhos prevista.
______________________________________________________________________________________

> Mesa 1 | Ensino da Fisioterapia em Portugal – Orador: Lucas Brink | Moderador: Nuno Pina
Após apresentação do tema, a mesa debruçou-se sobre alguns aspectos centrais do documento ''WCPT guideline for physical therapist professional entry level education'', publicado pela WCPT em 2011.Sobre a dinâmica de um mapa conceptual individual a desenvolver-se ao longo da manhã, o objectivo foi a discussão orientada com o sentido de se construir um mapa final de grupo das temáticas chave referentes à educação em Fisioterapia.


Inicio da actividade “Mapa Conceptual”:
Temas/ideias abordadas em discussão:

  • Áreas em que o fisioterapeuta deve ter competências durante o processo de ensino – foram apontadas diversas áreas para além das normalmente leccionadas em regime de licenciatura.


  • Processo de formação ao longo da vida – formação contínua, auto-aprendizagem, formação que confira grau académico (mestrado, doutoramento e outras licenciaturas).


  • Ajustar formação às necessidades sociais (da comunidade): quais as necessidades de Portugal? Ajustar a oferta formativa às necessidades regionais e nacionais do tecido empresarial e económico, destacar a intervenção e importância da intervenção da Fisioterapia em Populações Especiais, na Comunidade, na rede de Cuidados Continuados e em Geriatria. Relativamente a esta última população, foram mencionados e realçados diversos projetos que se levaram acabo por parte das diversas Instituições de Ensino (IES).


  • Acreditação regular da qualidade do ensino da fisioterapia: Abordadas as avaliações periódicas por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) nas IES, pertinência dos conteúdos programáticos face as necessidades e exigências do mercado de trabalho e a importância de intercâmbio de experiência entre escolas no panorama nacional e internacional. 

Dentro deste tema, foi dado o contributo por parte de um jovem Fisioterapeuta (João Valeriano, ESTeSL) que integrou, na qualidade de estudante-avaliador, as Comissões de Avaliação Externa, organismo responsável por ir às IES desenvolver o processo de avaliação externa, durante o ano de 2015. Contextualizou em que enquadramento a A3ES se integrava bem como o seu propósito e missão no panorama da garantia da qualidade no Ensino Superior. Na continuidade do tema, uma estudante da ESSAlcoitão realçou a importância que a intervenção da A3ES teve na sua instituição estabelecendo comparações entre o antes e depois do processo de avaliação.


  • Surge como uma preocupação dos presentes a falta de diversidade que existe relativamente à oferta de estágios curriculares em algumas escolas. É também apontada a necessidade de avaliar os orientadores de estágios assegurando a qualidade dos mesmos.


  • Perspectivando a continuidade da formação, os participantes partilham da opinião que a avaliação da qualidade do mestrado deve continuar a existir e que se deve ampliar a formação para programas doutorais em área específicas da Fisioterapia.


  • Fora do panorama da formação conferente de grau, foi abordada a formação contínua que é frequentada por muito colegas estudantes e Fisioterapeutas. Foi salientada a importância de ser avaliada em que moldes funciona este tipo de formação ficando a ideia por parte dos participantes que, para além do licenciamento por parte da DGERT, a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APF) poderia intervir neste processo sugerindo-se que se criasse um selo de qualidade de APF onde se destacasse a formação de qualidade.


  • Importância da primeira qualificação profissional em Fisioterapia na promoção de um profissional independente e autónomo – o papel fundamental da licenciatura e dos orientadores de estágio na preparação do Fisioterapeuta como profissional de 1º contato.


  • Prática clínica curricular sob tutela de fisioterapeutas formados -  capacidades pedagógicas e éticas para dar orientação de estágio e o papel das IES na formação e promoção destas capacidades. Partilha de casos de colegas fisioterapeutas que começaram a orientar estágios poucos meses depois de terem terminado a licenciatura (a adaptação, o processo de aprendizagem constante e de ensinamento simultâneo).


  • Formação profissional contínua devem munir o Fisioterapeuta de conhecimentos de pedagogia e abordagem educacionais – ensino e aprendizagem entre pares, programas de tutoria nas IES (partilha de experiências e de programas de tutoria a decorrer nas IES). Através de testemunhos recolhidos de dirigentes e ex-dirigentes associativos presentes no fórum, debateu-se a importância dos estudantes se envolverem nos órgãos de gestão académica, associações académicas e de estudantes e nos núcleos e o papel que estas estruturas têm na de promoção dos conhecimentos em causa e na aquisição de competências paralelas à formação base.


  • Industrial, institucional, ocupacional e cuidados primários: o Fisioterapeuta deve ter preparação nestes ambientes – debateu-se sobre a importância dos Fisioterapeutas intervirem com projectos paralelos na Comunidade e nos ambientes que integrem neles os temas elencados no presente tópico. Foi dado o contributo por parte de alguns estudantes que tiveram a oportunidade de integrarem, em ambiente de estágio curricular, o ambiente de trabalho do Fisioterapeuta no Serviço Nacional de Saúde e nos programas de Prevenção e Promoção da Saúde.

Levantou-se a questão do que poderá significar a intervenção em ambiente ocupacional concluindo-se que o mesmo carecia de uma revisão de forma a não suscitar dúvidas.


  • Life-long learning – Debate geral sobre o tema com testemunhos e perspectivas da situação ideal no processo de formação continuo e autónomo.


  • Investigação deve ser um  dos tópicos da formação base – Sobre este tópico a opinião foi unânime. Durante o 1º ciclo de estudos a investigação deve ter por base a promoção de correctas metodologias no que concerte à pesquisa em base de dados e desenho e planeamento de projectos de investigação. Aos 2º e 3º ciclos devem estar reservadas as competências de desenvolvimento dos projectos, em toda a sua plenitude.


  • Transferir conhecimentos específicos – facilidade desta transferência de conhecimento e contato nas IES que têm clinica agregada (foram dados exemplos por alunos de Castelo Branco da sua realidade e mencionados ainda exemplos da Universidade Fernando Pessoa).


Resultado do Organograma do grupo, concluido no final do 1º dia do FJF - Setúbal 2016 (presente no final do documento ou aqui).
______________________________________________________________________________________

> Apresentação IPSM’16, 3ª edição, Journey to 2050

______________________________________________________________________________________
> Mesa 2 | Emigração em Fisioterapia  – Orador: João Valeriano | Moderador: Cláudia Veríssimo
A segunda mesa iniciou-se com os testemunhos, via vídeo, de 3 colegas emigrados: Nicole Andrade (Rhode Island, USA), Kevin Barata (Philadelphia, USA) e Gonçalo Teles (França).

Após a apresentação dos testemunhos, apresentou-se um conjunto de estatísticas em volta de um estudo levado acabo por parte da seguradora Zurich* que indicava que 57% dos jovens em Portugal pretendem emigrar ou já consideraram emigrar sendo que as motivações geralmente apontadas são: Salário, progressão de estudos, novas e melhores oportunidades, melhor nível de vida, crescimento pessoal e profissional.
A escolha do país baseia-se na segurança do trabalho, adequação salarial baixa taxa criminalidade.

De forma a clarificar e sublinhar alguns aspectos relacionados com a emigração, foram apresentados os processos de emigração de 5 países: Espanha, Estados Unidos da América, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Foi aberto um período de discussão onde foram levantadas algumas questões sobre o processo de emigração e as dificuldades geralmente sentidas, nomeadamente limitações que se prendam com o idioma do país de acolhimento. O grupo não tinha conhecimento de muitos dos procedimentos implícitos ao processo de emigração, sendo essa a mais valia apontada à existência do tema Emigração num momento como o FJF.
*https://www.zurich.com/portugal/saladeimprensa/EstudosZurich/Estudo_Emigracao.htm

______________________________________________________________________________________

> Mesa 3 | Papel e Postura do Jovem Fisioterapeuta  – Orador: Nuno Pina | Moderador: Carla Faria

Objetivo da mesa: discutir o papel e atitude do recém licenciado e do estudante de fisioterapia. Qual o  melhor caminho a seguir e como devemos construir esse caminho? Ouvir as opiniões de cada um e tentar chegar a uma conclusão geral.

Introdução ao tema com esclarecimento do que é o MJF e quais os seus objetivos perante o jovem fisioterapeuta. Breve inclusão da história da Fisioterapia em Portugal tendo por base a apresentação da Isabel de Sousa Guerra no último FJF decorrido em Coimbra.


Ensino e Formação - construção da carreira/percurso. “Soft Skills” e atividades extracurriculares durante o percurso acadêmico.


DISCUSSÃO:

1-Entrada no mercado de trabalho vs especialização (mestrado) sem experiência.

PRÓS da entrada no mercado de trabalho

  • ganhar experiência e competências
  • remuneração
  • talhar o caminho
  • perceber qual a área indicada para se especializar


CONTRAS da entrada no mercado de trabalho

  • não estar preparado
  • não valorização do trabalho  por falta de experiência


PRÓS da especialização sem experiência

  • mais capacidade
  • mais conhecimento
  • segurança no trabalho
  • diferenciação dos outros


CONTRAS da especialização sem experiência

  • não ter a certeza da área em que se quer especializar e depois não aproveitar o mestrado
  • mais informação mas sem experiência
  • alguns mestrados a nível internacional requerem experiência


CONCLUSÕES DO GRUPO: optar por fazer as duas coisas ao mesmo tempo.


2-Valorizar oportunidade pela experiência vs autovalorização pela formação superior.
PRÓS de valorizar a oportunidade pela experiência

  • ganhar experiência.
  • aproveitar a oportunidade mas  continuar a procurar o emprego de “sonho”.


CONTRAS de valorizar a oportunidade pela experiência

  • única oportunidade de emprego, pode não ser valorizado mas é uma necessidade.
  • perder a ambição pelo facto de aceitar a primeira oportunidade por motivos monetários.
  • acomodação.


PRÓS da autovalorização pela formação superior

  • não aceitar receber menos do que merece, tentar mostrar que vale mais.


CONTRAS da autovalorização pela formação superior

  • não aceitando um emprego mal remunerado, pode estar a desperdiçar uma hipótese de aprendizagem e de ganhar experiência.


3- Estágios profissionais e a integração no mercado de trabalho.
PRÓS dos estágios profissionais

  • Orientação profissional (costas quentes) se o local tiver um fisioterapeuta com mais experiência
  •  vontade para colocar determinadas perguntas/expor dúvidas​
  • responsabilidade de acordo com a experiência
  • alguns locais de trabalho pedem experiência e os estágios profissionais são uma maneira mais fácil de conseguir essa experiência.


CONTRAS dos estágios profissionais

  • Maior Beneficio para as clínicas/gabinetes do que para o estagiário
  • incertezas na continuidade do trabalho


Conclusões do grupo: estágio profissional deveria funcionar como um ano de internato onde o recém-licenciado tem um estágio remunerado sob orientação.

______________________________________________________________________________________
> Apresentação ENEFt’16, por Carla Faria

______________________________________________________________________________________

> Mesa 4 |Sensibilização para a Fisioterapia  – Orador: Nuno Pina | Moderador: Lucas Brink Carvalho

Foi um tema debatido ao longo de todo o evento, tanto por exemplos como evidenciando a necessidade de um movimento neste sentido.
A informação junto do individuo com quem cada fisioterapeuta trabalha é uma forma de sensibilização, na prática do dia-a-dia do fisioterapeuta. Esta é uma função individual de cada um. No entanto, e reconhecendo o valor da sensibilização individual, este plenário será para definição de um projeto de sensibilização em massa.

Esta sensibilização em massa é, sem dúvida,  responsabilidade da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas e das escolas. No entanto, enquanto rede próxima dos estudantes e jovens e sendo o papel destes fundamental para o sucesso da sensibilização, o Movimento Jovem na Fisioterapia sente-se como responsável pelo incentivo de novas dinâmicas.

Foram apresentados exemplos de publicações/iniciativas de sensibilização, maioritariamente nas redes sociais. As opiniões aquando apreciação destas foram as seguintes:

  • A sensibilização não deve ser em tom prejudicial de outras profissões mas valorizando a fisioterapia.
  • Deve ser profissional, ponderada, enquadrada no panorama geral da fisioterapia.
  • A partilha de noticias com “headliners” podem levar a opiniões não fundamentadas, levando a múltiplas interpretações descontroladas.
  • O controlo de posições que prejudiquem a Fisioterapia deve ser reportada à Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, e não a título individual.


O proposto é a criação de um conjunto de ações de sensibilização, tanto no âmbito interno como o âmbito externo. Isto porque não se pode sensibilizar a sociedade em geral não garantindo as boas práticas dentro da comunidade da Fisioterapia.

Foram separados em grupos que trabalharam sobre esta temática durante uma hora, garantindo a logística prática.
Seguiu-se a apresentação do resultado do trabalho:

Grupo 1
Sensibilização Interna -
Filtro de imagem, divulgando no ENEFt. Este filtro teria um hashtag com ligação a um website com a divulgação de um vídeo de boas condutas práticas. Levantada a questão de que mesmo “falsos Fisioterapeutas” poderiam fazer esta alteração da imagem de perfil. No entanto o vídeo teria uma referência para com a cédula profissional. A sensibilização atual tem vindo a ser
Sensibilização Externa - Realização de rastreios gratuitos em simultâneo nos grandes centros do país, de forma uniformizada, com cerca de 100 elementos a realizar esses rastreios. Garantir a divulgação junto dos principais meios de comunicação.


Grupo 2
Sensibilização externa
- Semelhante ao acima, especificando nos problemas da população portuguesa assim como sessões (sessões de exercício), também estas uniformizadas. A sugestão seria realizar apenas em locais com escolas de fisioterapia. Garantir a presença de atletas para dar testemunhos. Preparar para ser o fim-de-semana após o dia 8 de Setembro (dia da Fisioterapia).
Levantada a questão de se seria feita uma avaliação aos participantes das sessões de exercício, visto ser este o que destinge a prática de exercicio com fisioterapeutas.

Sensibilização interna - Utilização de grandes eventos como o ENEFt e o CNF como momentos de debate e não apenas de apresentação, garantindo assim a sensibilização e melhoria da ação dos pares.

Grupo 3
Sensibilização interna
- No dia 13 de Outubro (dia nacional da Fisioterapia), realizar momentos de debate nas escolas sobre o ensino, reunindo professores e alunos/jovens fisioterapeutas. A ideia seria sincronizar este evento nas várias universidades do país
Sensibilização externa - Flashmob no ENEFt a ser realizado no FozPlaza, com as tshirts do ENEFt. Sugestão de acrescentar o fazer de uma foto com o simbolo da Fisioterapia, com os corpos dos participantes.

Discussão dos resultados, preparação dos projetos finais e definição dos grupos de trabalho para as respectivas sensibilizações interna e externa :

Sensibilização externa - duas datas em sugestão, 8 de Setembro e 13 de outubro (dias mundial e nacional)  para a realização de um evento a realizar-se em simultâneo nos grandes centros do país.

  • Grupo de trabalho, 5 pessoas para criação do núcleo duro:
  • Núcleo do grupo de trabalho: Daniel Moedas, Carla Faria, Sara Urbano, Ana Carolina Oliveira, Neuza Lopes
  • Compromisso de apoio: Catarina Dias, Catarina Palma, Joana Alves Santos, Hugo Góis, Raquel Guerreiro, Filipa Sequeiros e Lénia Gonçalves


Sensibilização Interna- criação de um vídeo de boas práticas, ao qual é dado acesso através de uma ligação, a ser adicionada numa alteração de fotos de perfil (adição de imagem de marca de água)

  • Grupo de trabalho, criação do núcleo duro:
  • Pilares: Joana Santos e Sofia Silva.

______________________________________________________________________________________
Encerrament
oNuno Pina

Foi agradecida a presença de todos os elementos, louvando-se o facto de dispenderem o seu fim-de-semana para a discussão de tópicos, tão atuais e tão relevantes não só para os estudantes de Fisioterapia, mas também para a classe profissional.

Louvou-se ainda o objetivo cumprido de chegar a conclusões, projetos e produtos finais após um fim-de-semana de trabalho, desafiando a que todos mantenham o espírito pró-activo e a presença, participação e criação de momentos para debate.

© 2018 GIMJF || Grupo de Interesse - Movimento Jovem na Fisioterapia