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Rubrica - A voz jovem na Fisioterapia

O que mudarias na Fisioterapia em Portugal?



               Esta foi a questão que o MJF colocou aos estudantes e jovens fisioterapeutas no passado mês de Maio, na rúbrica “A Voz Jovem da Fisioterapia”, que tem como objectivo promover o debate de temas pertinentes e polémicos.

               A primeira resposta focou, essencialmente, a necessidade que Portugal deve ter de caminhar no sentido de o fisioterapeuta ser um profissional de primeiro contacto, o que já se verifica noutros países. Foram citados documentos como o HWA (Expanded Scopes of Practice Program Evaluation: Physiotherapists in the Emergency Department) australiano e artigos de SAMSSON e LARSSON de 2014 e 2015 referentes à Suécia, como exemplo, para sustentar a opinião de que nos sistemas de saúde em que o fisioterapeuta trabalha nas Urgências, há redução das listas de espera, do período total de tempo de permanência neste serviço e ainda diminuição dos custos associados. No entanto todos os intervenientes concordaram de que para tal ser passível de implementação, a formação deve sofrer alterações, quer seja pelo maior enfoque na identificação de redflags ou no despiste de patologias.

               No decorrer deste primeiro tema, foi sugerido que esta alteração não seria nunca feita pois tratava-se de uma questão de mentalidade e que as pessoas recorrerão sempre primeiro ao médico, obtendo como resposta que “a mentalidade não deve ser uma desculpa para a falta de acção mas sim um objectivo de intervenção dessa mesma acção” e que a ligação entre médico e fisioterapeuta deve ser mais próxima e não o oposto, com esta alteração. Isto pois segundo tal interveniente, o médico deve ser sempre o líder da equipa, deve assumir sempre um papel central, pois tem o conhecimento para referenciar para outras especialidades.

Neste ponto foi feita distinção entre médicos das várias especialidades e Fisiatras, pois segundo a opinião de vários intervenientes estes não deveriam prescrever Fisioterapia, quer pelo facto de muitas vezes nem conhecerem as técnicas que prescrevem, quer pelo facto de muitas vezes ser a sua avaliação mensal que dita todo o plano de intervenção para o mês que se lhe segue, sem possibilidade de alterações ou adaptações.

O segundo assunto abordado incidiu sobre o ensino da Fisioterapia em Portugal. A opinião é a de que há escolas a mais, os 880 alunos que ingressam anualmente nos cursos de Fisioterapia não são necessários segundo o actual modelo de saúde. Este número, segundo um dos intervenientes, poderia ser real caso o fisioterapeuta estivesse alocado em todas as suas áreas de intervenção enumeradas na listagem de competências definidas para a profissão, como por exemplo, na promoção de saúde. Outro aspecto referido foi a falta de uniformização de conhecimentos e competências base, consoante a escola em que se estuda[1]. 

Foi ainda abordada a necessidade que existe de se criarem e reconhecerem especializações nas várias áreas, visto que segundo a opinião do interveniente em causa, estas aumentam a qualidade do serviço prestado e é nesse sentido que a evolução tem sido feita noutras profissões, devendo também a Fisioterapia seguir tal rumo. Inerente a isto está o facto da necessidade da actualização dos conhecimentos, tendo sido sugerido que a cédula profissional deveria ter um sistema de pontos acoplado os quais contemplariam, por exemplo, formação complementar ou publicações científicas, de forma a evitar a estagnação profissional.

Por fim, ainda dentro da questão do ensino, falou-se na importância que os estágios assumem na nossa formação e que como tal a parte pedagógica deveria ser abordada ou durante o curso base ou ainda através de formação de orientadores (providenciada pelas escolas)[2].

Por último, mas não menos importante, foi referido como uma das alterações mais urgentes e que maior impacto trariam à profissão: haver maior união entre os fisioterapeutas. Para que tal seja possível, segundo o referido, é necessário que todos façam parte do órgão representativo da nossa classe profissional, a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APF). Isto pois segundo um dos intervenientes grande parte das funções “perdidas” para as outras classes profissionais prendem-se ao facto de a profissão deles ser unida e respeitarem os seus representantes, o que não se verifica nos fisioterapeutas.


[1] Posteriormente a esta discussão, durante o CNF 2105, na mesa intitulada “Ensino de Fisioterapia em Portugal” que contou com os 13 representantes de diferentes escolas, este foi um dos temas debatido tendo sido agendada uma reunião a ser marcada de forma a debater este e outros assuntos de forma mais profunda.

[2] Segundo o que o MJF conseguiu apurar já há escolas que providenciam workshops aos seus orientadores, e outras que têm planificado implementarem tal.




O MJF  lembra que as opiniões abaixo não refletema opinião do grupo MJF mas sim um resumo das opiniões dadas pelos intervenientes da discussão, aberta ao maior número de estudantes de fisioterapia e jovens fisioterapeutas possível.